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A lenda
Uma lenda “corre há muito tempo, segundo qual a capela da
Santíssima Trindade foi construída por um certo Padre Trindade, que juntamente
com mais outros dois, Padre Gaspar e Padre Livramento, saíram andando com as
imagens da Santíssima Trindade, Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora do
Livramento, respectivamente.
Quando eles já não agüentavam mais andar pararam e construíram 3 capelas
sobre 3 colinas formando um triangulo: Capela da Trindade, Capela de Nossa
Senhora do Pilar n,o Padre Gaspar e a Capela do Livramento, hoje, no município
de Prados.
Dizem que quando o tempo está bom e o céu limpo o campanário de uma igreja
enxerga-se uma das outras. Tem a lenda um fundo de verdade. Quem construiu a
igreja foi um misterioso ermitão.
Os Eremitas ou Ermitões diante das ambições e dos vícios desenfreados pela
sagrada fome do ouro, que avassalava as Minas Gerais do Século XVIII, tornam-se
inconformados e os primeiros gestos que assumem é a fuga da vida comum dos
aventureiros e de tudo o que representa: a avidez do ouro, a violência, a
luxúria. Querem para si e para toda a sociedade desordenada o advento do ideal
evangélico.
Devotados a nobre causa da conversão dos pescadores, eles se fizeram penitentes
e santos revestindo de virtudes inusitadas do desapego dos bens do mundo para
assim conseguirem abrandar o coração dos aventureiros do ouro. Eram
cristãos radicais que não satisfaziam com as práticas comum da religião sob o
comando de um clero pouco atuante na visão deles. Os eremitas de Minas Gerais
eram exilados do mundo. À medida que iam surgindo os grupos começavam a se
articular como se fossem Ordens Terceiras. Sendo também responsáveis pela nossa religiosidade.
A obra eremita partiu sempre da ermida, da capela, do oratório ao pé do qual se
ora muito, ora-se sem cessar, por aqueles que rezam mal ou nunca oram.
A história
E então no alto da colina mais alta da então Vila de São José, que o eremita Antonio José Fraga, plantou sua humilde capelinha dedicada às três pessoas da Santíssima Trindade. Este ponto escolhido deve estar mais ou menos 1.000 metros de altitude, já que Tiradentes está a 887 metros. Ao lado de um casebre viveu até 1794, admirando a sua capela. Segundo documentação do Arquivo Histórico do Ultramar (AHU) a construção da capela do eremita Antônio José Fraga foi aprovada por provisão em 2 de janeiro de 1776. Parece que em 1781 estava quase concluída, conforme requerimento do Ermitão. Em 1798 foi solicitado ao conselho de sua Majestade, após a morte do ermitão, novas reformas e ampliação da capela. Foi designado o Tenente João Antônio de Campos, que inicia como administrador, a construção da nova capela mais ampla, pois a primeira cabia só seis bancos. A planta foi encomendada ao pintor e arquiteto Manoel Victor de Jesus, em estilo Barroco-Rococó.
Trabalharam na obra os pedreiros Cláudio Pereira Vianna, João Damasceno, Antônio Pereira da Silva, Manoel Alves de Souza, Manoel Gomes Teixeira e o ferreiro Antônio dos Santos, além dos escravos e aprendizes dos referidos mestres.
Em 1822 o edifício principal estava concluído, faltando as sacristias e os acabamentos. Em 1853 criou-se uma confraria da Santíssima Trindade sendo redigido o estatuto com 32 capítulos, enviado à Mariana para aprovação Episcopal, na parte religiosa. Desde a fundação da confraria, existem documentos que comprovam a contratação de músicos para as funções: Festa da Trindade, Jubileu e a Festa da Nossa Senhora das Dores. Os romeiros chegavam em carros de boi cobertos com toldos de couro e acampavam na periferia da capela. Em 1855 é executada a obra do novo assoalho e dos balaústres da nave pelo José Joaquim Sant’ana e Silva. E ainda no final do Sec. XIX colocou-se o para-vento da capela.
A Arquitetura
A construção é semelhante a todas as capelas de Tiradentes, com as sineiras incluídas ao corpo da fachada simétrica, dividida em três blocos. O do centro tem uma porta com moldura de pedra-sabão, coroada por um arco abatido, mas sua ornamentação nunca foi completa. No nível superior se abrem dois janelões com base ornamental e arco abatido no topo, entre os quais existe um medalhão com o Cordeiro de Deus em relevo. Uma cimalha dupla interrompida por um óculo circular separa o frontão, de perfil sinuoso com volutas e pináculos nas extremidades, sendo coroado por uma cruz. No centro do frontão há um relevo dentro de um círculo, com a imagem de um triângulo dentro de uma glória, representando a Santíssima Trindade. Os dois volumes laterais da fachada possuem arcos redondos e vazados no topo, servindo como campanários. Sobre eles o desenho do frontão continua, arrematado com volutas e pináculos.
Sua planta segue o padrão barroco mais comum, com uma nave única e uma capela-mor ao fundo. Seu interior tem uma decoração singela. A capela-mor conta com um retábulo muito simples, constituído apenas por um grande nicho em arco redondo com um pedestal escalonado e discreta talha recortada como moldura, em cujo topo está entronizada uma rara imagem do Pai Eterno em trajes papais. Abaixo está a imagem de Cristo crucificado e Nossa Senhora das Dores. Nas laterais dois outros nichos menores são cobertos de baldaquinos. Num dos nichos existe uma imagem de São João da Mata, fundador da Ordem dos Trinitários. O teto da capela mostra uma pintura da Trindade e a fachada do retábulo tem uma pintura floral policroma. Grandes painéis com cenas ao gosto popular decoram suas paredes laterais. Os dois altares do arco cruzeiro também possuem um estilo popular com talha discreta e policroma. Nas paredes laterais à nave existem oito grandes estandartes, datadas de 1785, que pertencera a Matriz, representando os quatro principais doutores da igreja e as cenas da Anunciação, Natividade, Epifania e Ascensão de Cristo.
O Jubileu
O jubileu da Santíssima é uma das maiores festas religiosas de Tiradentes e região, é prova viva de que as peregrinações e romarias não são simples excursões feitas por curiosidade para distrair o espírito, mas solene manifestação da religião e da fé, ao coletivo de religião e de piedade, que deve ser feito com o espírito de oração, caridade e penitência.
Fiéis de toda parte do Brasil chega a região para romarias de fé, onde pagam promessas, fazem pedidos, agradecem e celebram a Santíssima Trindade. A celebração das missas é bastante intensa, realiza-se uma missa a cada uma hora. No domingo é celebrada missa solene musicada pela Orquestra e na segunda-feira sai a procissão com as imagens do Padre Eterno, com o Espírito Santo e Cristo Crucificado, as músicas executadas na novena são de autoria de compositores locais do século XIX, principalmente do Padre José Maria Xavier (1819-1887).
Durante todos os dias do Jubileu centenas de barracas são montadas ao longo da ladeira que leva à Matriz de Santo Antônio, onde são vendidos toda a sorte de itens de alimentação, vestuário e eletrônicos, outro grande atrativo aos visitantes regionais.
O Jubileu acontece em data móvel entre maio e junho. O domingo maior do Jubileu da Santíssima Trindade é o domingo seguinte ao de Pentecostes, que ocorre 50 dias após o Domingo de Páscoa.
O Santuário
A capela foi elevada à condição de Santuário Diocesano em 17 de junho de 1962, por decreto do bispo D. Delfim Ribeiro Guedes, por ser um local de peregrinação, atraindo fiéis de várias regiões que transformaram o Jubileu da Santíssima Trindade em uma das grandes festas religiosas de Minas Gerais.
O Santuário possui complexo de ambientes para proporcionar ao visitante um breve descanso, com sala de romeiros, loja de artigos religiosos, jardins com bastante sombra, chafariz, bebedouros, restaurantes, banheiros, etc. Durante o Jubileu, Tiradentes fica cheia de fiéis em uma festa que movimenta toda a cidade, com atividades durante vários dias.
Centro de uma grande devoção, o Santuário mantém uma sala de milagres que recolhe ex-votos dos fiéis, tão populares nos santuários brasileiros, que são presentes dados pelos fiéis em agradecimento de uma graça recebida.
A partir da praça que fica em frente ao Santuário é possível ter uma excelente vista da Serra de São José. Descendo a ladeira com o calçamento característico de Tiradentes, os visitantes desfrutam de uma Tiradentes ainda mais tranquila para chegarem até à Matriz de Santo Antônio.
A exceção do Jubileu, o Santuário é, em geral, um ponto turístico pouco explorado pelos visitantes.
A rara imagem do Pai Eterno
A Igreja guarda imponente imagem do Deus Pai em tamanho natural, trajado à maneira de um papa da idade média, único exemplar do Brasil. Nela, o Pai Celestial é retratado como um homem de meia idade com olhar expressivo. As barbas são longas e está vestido com um manto dourado, trazendo na cabeça uma tiara papal em madeira e policromada. Os braços estão estendidos com as mãos abertas, como em atitude de benção, e de onde saem fitas que são beijadas pelos fiéis. Apresenta uma figura do Espírito Santo no peito sem a figura do Filho. O autor e data dessa exclusiva imagem são desconhecidos.
Curiosidade: O Alferes Tiradentes era frequentador da Capela da Santíssima e se inspirou no símbolo da Santissima Trindade, da qual era devoto, para criar a bandeira da nação (hoje de Minas Gerais).
A Capela da Santíssima Trindade é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 476 Data: 27 de janeiro de 1964.
R. Joaquim Eliziário Dias, 320 - Parque das Abelhas, Tiradentes - MG, 36325-000, Brasil
Email: villaalferes@villaalferes.com.br Reservas: (32) 3355 1752 - Whatsapp: (32) 98887 4406