



Considerado uma das maiores preciosidades arquitetônicas e bens culturais de Tiradentes, o solar onde vivia Padre Toledo — um dos importantes nomes para a Inconfidência Mineira — hoje funciona como museu. A casa, de andar térreo e padrão colonial, reserva detalhes como os forros pintados, decoração rara na época. O luxo da casa se compara às habitações de nobres em Portugal, sendo hoje aberta à visitação de turistas que se encantam pela riqueza e preservação dos detalhes.
A construção data de 1777, imediatamente à chegada de Padre Toledo à paróquia. Informações contidas em documentos da época esclarecem que o imóvel era propriedade particular do Padre Toledo, tinha cavalariças, oficinas, e que a casa vizinha do lado direito pertencia ao Pe. Bento, irmão de Carlos Toledo. Dos mesmos documentos infere-se ainda que naquela época já existia o sobradinho ou torreão da casa, que supunha-se ser de época posterior.
São 16 cômodos (vários deles com pinturas no forro), um porão, um pátio e uma residência anexa, onde ocorriam reuniões dos inconfidentes, além de ter sido palco da festa de batizado de dois filhos de Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora.
O Museu Casa Padre Toledo pretende apresentar ao público a magnífica construção do solar, com salas onde é possível até mesmo observar as pinturas no forro por meio de espelhos dispostos no cômodo. A grande atração do museu é a arquitetura. Por isso, percorra calmamente todos os cômodos e veja cada detalhe de um dos mais lindos casarões de Tiradentes. Além do conjunto arquitetônico, estão em exposição peças da Coleção Brasiliana que integram o acervo da Universidade Federal de Minas Gerais e foram doação de Assis Chateaubriand.
Todos os cômodos da casa podem ser visitados e o porão, que parece mais uma prisão, pode ser espiado por uma janelinha. Há visitas guiadas, o que enriquece demais o passeio.
O acervo do Museu
- Mobiliário do século XVIII e XIX
- Imaginária Sacra
- Porcelanas
- Telas: - A Leitura da Sentença dos Inconfidentes - autoria desconhecida
- Tela: Dom Pedro II aos 15 anos de idade
- Tela: São Mateus, pintada por Manuel da Costa Athaíde, além de outros objetos produzidos pelo artista.
Os pontos altos do museu são os forros pintados:
- Sala dos Cinco Sentidos: tema que revela ser modismo das casas ricas do século 18, pois são encontrados em outras residências como na Casa do Intendente Câmara em Diamantina.
- Sala do Armário Pintado: no forro, há uma pintura mostrando uma mulher ao lado de um mulato e um cordeiro coroado de flores. O enigmático é que: o cordeiro parece possuir dois corpos; as pernas do mulato são disformes e estão colocadas erroneamente em relação ao tronco.
- Sala de Jantar : as pinturas mostram diversas frutas.
O Museu do Padre Toledo é tombado pelo IPHAN
Registrado pelo livro de Belas Artes - Inscrição: 405 Data: 4 de agosto de 1952.
Registrado pelo livro Histórico - Inscrição: 295 Data: 4 de agosto de 1952
Horário de Funcionamento:
Terça a sexta-feira:10h às 17h
Sábado:10h às 16h30
Domingo:09h às 15h
(A bilheteria encerra o funcionamento meia hora antes do fechamento do museu)
Entrada: O ingresso tem custo de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Entrada gratuita para: moradores de Tiradentes, Santa Cruz de Minas e São João del-Rei (com comprovante de residência), guias de turismo com identificação e crianças, de até 10 anos de idade, acompanhados dos pais.
Meia entrada para: estudantes, professores, pessoas com deficiência e pessoas com idade igual ou superior a 60 anos de idade, com identificação.
Agendamento de visitas orientadas: (32) 3355-1549 / e-mail: educativomcpt@gmail.com
Construída por ordem de Padre Toledo em 1777 era considerada uma das melhores da época, tendo contratado pintores para decorar os tetos em estilo rococó, com temas mitológicos ao gosto dos poetas árcades mineiros. O mobiliário era igualmente de qualidade, assim como a prataria, quadros, louças de Lisboa e da Ïndia e uma valiosa e extensa coleção de livros de vários autores. Todos os seus pertences ficaram depositados em mãos do capitão Antônio Vidal Riforte, e devem ter sido leiloados, ignorando-se o destino dos mesmos.
Em 1892, o imóvel passou a servir de residência ao Juiz de Direito de Tiradentes, Dr. Edmundo Pereira Lins, que ali residiu até 1897.
Em 1880, um grupo de republicanos visitou a casa do Pe. Toledo que, à época, acreditava-se ser a casa de Tiradentes, realizando-se ali uma sessão cívica e de propaganda da república e, de acordo com o jornal “A Pátria Mineira”, órgão republicano de São João del Rei, estas “romarias” cívicas se intensificaram no final do Império.
Em 1907 a casa foi comprada pelo capitão Policarpo Rocha, que a doou, em 1917, à municipalidade, através de escritura pública passada em cartório. Após ampla reforma, passou a abrigar o Fórum que ali permaneceu até 1959. Criada a Prefeitura, em 1930, esta passou a funcionar no mesmo prédio.
O imóvel passou por restaurações empreendidas pelo IPHAN em 1942/43 e em 1962, esta com vistas à instalação do Seminário Diocesano de São Tiago que ali permaneceu por pouco tempo. Nesta reforma, foram construídos os anexos para cozinha, banheiro, lavanderia e garagens. Posteriormente o imóvel serviu de sede à Congregação Sacre Coeur de Marie e, finalmente foi entregue em 1971 pela Câmara Municipal de Tiradentes à Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade, que nele fez instalar o “Museu Padre Toledo”, com acervo composto de mobiliário, escultura e pintura, recolhido no Museu da Inconfidência, Museu Regional de São João del Rei, Casa da Baronesa (Ouro Preto), além de peças doadas por particulares.
O grande solar é um casarão de um só pavimento, apresentando na fachada janelas de guilhotina com ombreiras e vergas curvas em pedra-sabão, molduradas com filete. A cornija e os cunhais de pedra limitam bem o corpo principal, coroado por telhado em quatro águas. O corpo elevado, agregado à parede do lado direito é acréscimo posterior, mas que não compromete nem desfigura o solar. Verifica-se aí, entretanto, diferença no modelo das janelas, de ombreiras e vergas de madeira e execução menos apurada que as de pedra-sabão. Nesse corpo da casa o beiral no telhado alto é em cachorros.
Internamente a casa possui 18 salas, incluindo os corredores e o salão superior. Os forros são quase todos em gamela, com aba, moldurados e decorados com pinturas diversas e originais, destacando-se a sala dos “Cinco Sentidos” representando olfato, o paladar, o tato, a audição e a visão. Na antiga sala de jantar, a pintura do teto se manifesta com decoração em frutas. Após análises comparativas, elaboradas por técnicos do IEPHA/MG, foi levantada a hipótese da participação de três artistas na decoração da casa, em épocas distintas da segunda metade do século XVIII e de princípios do XIX, pois todos os forros da parte inferior, a exceção de um, apresentam as mesmas características na resolução das rocailles, flores e ramos. Já os forros do andar superior, apesar de estilisticamente se aproximar dos demais do andar inferior, as rocailles, flores e ramos apresentam uma decoração com tratamentos dos ornatos diferenciados. No torreão, na sala inferior, a pintura se apresenta nitidamente diferente das demais, seja em traços ou em tons, já apresentando sinais de decoração neoclássica.
No século 19, a casa hospedou os dois imperadores brasileiros: D. Pedro I e D. Pedro II. Com o passar do tempo abrigou uma escola, a Prefeitura e a Câmara Municipal. É erroneamente chamada de "Casa de Tiradentes", pois não há nenhuma documentação que comprove que ele tenha residido na casa.
Descubra quem foi Padre Toledo e sua participação na Inconfidência ou Conjuração Mineira clicando aqui.
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