



Desde os últimos anos do século XVII, o paulista Tomé Portes del-Rei explorava o direito de passagem às margens do Rio das Mortes, num ponto conhecido como Porto Real da Passagem. Em 1702 João de Siqueira Ponte chega à região e, em companhia de Tomé Portes, descobre ouro nos córregos da redondeza. O local, denominado Ponta do Morro, logo se transforma em arraial com o afluxo crescente de garimpeiros.
Pouco tempo depois, passa a se chamar Arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio, em louvor ao santo de devoção dos moradores que aí se reuniram e ergueram uma capela. Mais tarde, passou a ser conhecido como Arraial Velho, pois criou-se o Arraial Novo do Rio das Mortes, atualmente chamado de São João del Rei.
Nas primeiras décadas do século XVIII, foi construída a maior parte de seu casario e de suas edificações religiosas, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em 1708, e a Matriz de Santo Antônio, em 1710. Ao redor das igrejas e capelas, localizadas em pontos elevados da cidade, as casas foram se firmando numa configuração que permanece até hoje.
Graças à abundância do ouro encontrado, o arraial desenvolveu-se rapidamente, sendo elevado à categoria de vila em 1718, quando recebe a denominação de São José del-Rei, em homenagem ao príncipe D. José, Futuro rei de Portugal.
A decadência da mineração, que já se manifestava em toda a Capitania das Minas Gerais desde 1750, só viria a ter reflexos no crescimento da Vila de São José no início do século XIX, quando as minas de ouro se esgotam. Apesar da escassez do metal, a Coroa Portuguesa lança a derrama, exigindo o pagamento compulsório de impostos atrasados do quinto do ouro, que em 1788 somavam mais de oito mil quilos.
A atitude opressora da metrópole faz surgir o espírito revolucionário entre as camadas mais abastadas, reunindo militares, comerciantes e intelectuais no movimento mais tarde conhecido como Inconfidência Mineira. Em 1789, a denúncia do coronel Joaquim Silvério dos Reis coloca São José del-Rei entre as vilas mineiras envolvidas na conspiração. Entre os integrantes está o padre Carlos Correa de Toledo e Mello, vigário da então Freguesia de Santo Antônio, considerado um dos maiores propagadores do movimento.
No século XIX, os moradores da Vila de São José voltam-se para a agricultura e a pecuária, vendendo carne de porco, boi e carneiro para algumas localidades de Minas e, também, para o Rio de Janeiro. Em 1831, a participação da mão-de-obra feminina na economia local é expressiva, especialmente no ramo da fiação e tecelagem. Em 1864 a localidade chega a possuir cerca de 70 teares, conta com 108 fiadeiras e tecedeiras, além de 44 costureiras, e a produção atinge cerca de 30.000 varas de pano. No entanto, a atividade não chega a alcançar proporções industriais.
Sem grandes alternativas econômicas, São José del-Rei, elevada à categoria de cidade em 1860, pouco se modifica. Sua integridade patrimonial e paisagística assegura-lhe um dos perfis coloniais mais autênticos de Minas Gerais e do Brasil.
No fim do século XIX os republicanos redescobrem a esquecida terra de Joaquim José da Silva Xavier, o "Tiradentes", fazem uma visita cívica à casa do vigário Toledo, onde se tramou a Inconfidência Mineira. Mas foi o inflamado Silva Jardim que, de passagem por São José, sugere em seu discurso que o nome da cidade fosse trocado para o do herói, em lugar de um rei português. Com a proclamação da república, por decreto de número 3 do governo provisório do estado, datado de 06 de dezembro de 1889, recebe a cidade o atual nome "Cidade e Município de Tiradentes". Dessa época em diante, a cidade experimenta certo ritmo de expansão comercial com a implementação do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Oeste-Minas e, mais tarde, do sistema rodoviário.
Após longos anos de esquecimento, o conjunto arquitetônico da cidade foi tombado pelo então Serviço do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 20 de abril de 1938, resguardando-se não só seu conjunto arquitetônico como também áreas de seu entorno paisagístico, quase intacto, mas especialmente a imponente Serra de São José com agradáveis cachoeiras e vegetação remanescente da Mata Atlântica.
Hoje, uma das importantes fontes de renda da cidade é o turismo, mantido graças ao grande interesse por seu conjunto arquitetônico colonial, quase inalterado e reforçado pela extensa programação cultural e artística que a cidade recebe ao longo do ano e à qualidade de seu sistema hoteleiro, com mais de 300 hotéis e pousadas.
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